25/10/2020

Vigesima quinta parte do meu livro OS DOIS AMORES DE CARLINHOS”

 



 UM DIA LORENA

 Um dia uma jovem compradora de uma pequena empreiteira se engraçou para o lado de Carlinhos. E de conversa em conversa conseguiu fazer o sério sorrir.

— Como é lindo o teu sorriso senhor sério! Falou a jovem Lorena para Carlinhos. E este envaidecido sorriu mais ainda. Os músculos da face lhe doeram ao sorrir, fazia um bom tempo que sorrir estava fora da sua vida. E não demorou muito para os dois começarem um namoro que se transformou em casamento!

Lorena era uma garota calma e apaixonada pelo poeta. Mas deste já não podia se dizer o mesmo. Gostava da esposa adorava a companhia e a presença dela. Mas faltava algo nela que ele não conseguia explicar!                                                                                      

Mesmo assim Carlinhos levava uma vida normal de família. Lorena era muito dedicada a ele. Carlinhos contara a esposa toda sua vida desde o primeiro olhar de Esmeralda até a morte de Ligia. E também não escondeu dela a verdade sobre o porquê, não ama-la o tanto como amou as outras duas.                                                              

E Lorena lhe disse.                                                                                                                           

— Eu não tenho pressa, me basta tê-lo ao meu lado. Um dia isso tudo vai passar e tenho certeza, você vai esquecer. Vais ver como é bom ser o pai, desta criaturinha que esta na minha barriga.                                                                                                                               

Parece que Lorena estava coberta de razão, nessa noite o marido não dormira, com a notícia de ser pai. E já fazia planos, pois se fosse menina ele colocaria o nome de Nick e se fosse menino Lorena daria o nome.

 

 

22/10/2020

EU MEU MENINO

  


 Aos domingos na matiné do cinema Palace, assistia aos meus filmes prediletos de cowboy. Durante a semana, depois da escola eu dava aulas para as bonecas da minha irmã! E era um professor enérgico.  Mais tarde jogava meu futebol eu era o craque do meu time. Hora o Rivelino, outras vezes o Gilmar goleiro. Quando minha mãe me chamava para ir à padaria, era a melhor hora. Selava meu cavalo prata! Meu Silver e saia a todo galope pelas ruas da cidade poeirenta em busca dos bandidos.

E numa voz de moleque e de bom som gritava.

— Aiõõõõ Siiiilver!

Não existe nada mais lindo do que um sonho menino, brincando com todos os brinquedos da sua imaginação. Com o vento eu me imagino numa aventura de super  herói. Ficando em pé com os braços abertos em forma de cruz deixando o vento forte bater em seu rosto e corpo. A sensação de estar voando é enorme. E lá das alturas, vejo as cidades aos meus pés. Como minúsculos presépios de Natal. Sentindo o poder de planar e ser livre. Sentir o frescor das rajadas de vento tocando meu rosto e corpo. Às vezes uma chuva, garoa muito fina molha meu rosto. Sorrio sentindo como afago as pequenas gotículas me escorrendo pela face!

Se eu pudesse ser menino novamente. Ia pedir para o meu Papai do céu. Nunca me deixar crescer, nunca me deixar sair do meu mundo do faz de conta. Só quem foi menino como eu é que sabe! Como era boa a vida no meu mundo de sonhos.