06/04/2020

UMA ENTIDADE – A VOLTA DO AMIGO QUE NÃO SEI ONDE MORA

Conto de minha autoria publicado na coletânia da AVEB 

 - ACADEMIA VIRTUAL DE ESCRITORES BRASILEIROS -

  Livro BRASIL EM CONTOS ll 

UM ENCANTO EM CADA CANTO


 

      Depois do impacto da morte de Lorena o tempo era uma agonia. Carlinhos andava sempre cabisbaixo. Parecia uma pessoa sem vida. Ficava a imaginar como teria sido sua vida com Maria Esmeralda. A menina dourada e como seriam seus filhos. Crianças claras com os olhos iguais aos da mãe. Teriam uma vida de ternuras e afagos. Seriam como dois anjos construindo uma família. Outras vezes como teria sido com a revolucionária Lígia. Achava que com ela a vida a dois não teria um paradeiro. Estaria sempre em perigo e correndo de um lugar para outro. Sempre fugindo da polícia política. Achava que diante de tanto terror, filhos nem pensar! Mas se por acaso os tivessem seriam crianças morenas de olhos negros e cabelos lisos.

      Lembrou-se do dia em que Lígia o levara em uma casa de Umbamba. Ali no terreiro assistiram à incorporação de vários caboclos um dos quais apontou para Carlinhos, pedindo que se aproximasse. Assim o fez. Em pé diante da entidade abaixou a cabeça.

      O caboclo pediu que erguesse a cabeça e nunca mais a abaixasse para alguém, a não ser para o Pai Oxalá o mestre. Enquanto dava o passe e as suas orações o caboclo dizia.

--- Só abaixe sua cabeça quando culpado for de algo. Mesmo assim peça perdão pela culpa com a cabeça erguida. Pedir perdão é o reconhecimento do erro. Mas cuidado com os que te perdoarem. Pois poderão jogar pregos no seu caminho. Muitos não sabem perdoar incondicionalmente e sim só da boca para fora.

--- Nunca faça errado meu filho. Para não ter que pedir perdão. Agora vai em paz.

      A cerimônia continuou. Com outras entidades baixando. Logo estavam os Pretos Velhos dando suas consultas. A pedido de Lígia O Preto Velho abençoou o casal. Dando-lhes conforto para as almas e com palavras de incentivos aos dois. Após a benção olhou para Carlinhos e pediu-lhe para escrever o livro da vida. O poeta que há muito não escrevia ficou abismado olhando para a IDENTIDADE. Pensou: - Como ele sabe que eu gosto de escrever.

E falou mais ainda.

--- Quando você escrever a última página traga-a para mim. Porém nosso personagem não deu a devida atenção ao que lhe havia pedido a ENTIDADE.

      Hoje se lembrando desse passado e dos dias de solidão foi até a prateleira onde morava num cantinho o rascunho do seu livro. Onde estão seus escritos poéticos. Pegou-o meio mofado pelo tempo e foi recordando algumas partes. Chorou! Depois muito perturbado lembrou-se de toda sua vida. De tantos porquês! Porque o destino lhe passando sempre a perna. Derrubando seus sonhos, seus encantos. Porque a vida matou tanto a pureza que trazia na alma.

      Será que ficou devendo tanto nas outras vidas. E tinha que pagar nesta. Não achava possível amar tanto e nunca ter um final com felicidade. Foram apenas momentos felizes e depois os choros e sofrimentos pelas perdas dos seus amores. E dos entes que sempre julgara amar. Mas que também não conhecia a realidade do que pensavam dele e com que olhos o viam.

      Seja como for foi à vontade do destino. Não tem mais volta. Pensava que seu círculo se fechara nesta vida. Não havia mais elos de amor na vida de um velho. Acabou então escrevendo a última página como entendera que o Preto Velho do passado havia lhe pedido. Quando na companhia de Lígia.

      Enganou-se mais uma vez. Quanto a pensar que o destino não mais se importava com a sua vida.

 

A ÚLTIMA PÁGINA - ADOREI AS ALMAS

 

      O triângulo de luz se faz presente no conga. Silêncio, Oxalá é Rei é presente. Ogã atabaque inicia a vibração do toque. Cambono prepara a adoração. Louvor as divindades. Aos poucos a luz de Oxalá o Rei invade os corações. Pairando como dádiva aos crédulos presentes. Onde havia dúvida de incrédulos, agora existe a certeza.

 

Agô meu Pai Pedro. Perante a mim num sorriso sereno. Veio como a noite emanando a luz divina. Enviada por Oxalá o Rei.

      Tamanha foi minha emoção diante da divindade, que minhas palavras ficaram presas na garganta. Fechei os olhos que enrijeceram numa câimbra forte. Ouvindo a vós serena do curandeiro que educa. Ensinando a caridade e preservando os encantos da terra. Trazendo no coração o dom da vida, da cor, do costume e a magia de curas das ervas.

 

      Quando consegui falar: Pedi-lhe.

--- Dá-me meu Pai! O remédio para a cura dos lanhos da chibate da vida. Ajuda-me na cura da minha alma despedaçada. Derruba a inveja da força e do mal olhado. Ensina-me o caminho para brilhar sem vingança. Estendeu-me sua mão e eu, a senti, como um choque. Uma convulsão de choro ao recado que me dava.

--- Aqui está feito meu pai. Escrevo esta última página conforme o seu pedido, as correções e erros da minha vida, estão no meu coração junto com a crença. Deposito o meu livro de amores nas tuas mãos e sigo as regras que o destino me impõe.

--- Com a força que me deste ao segurar minha mão. Parto agradecido para o caminho da vitória.  Assim escreveu Carlinhos colocando a página no final do rascunho do seu livro.

      Como sempre perdera o sono. Tomou um medicamento e na madrugada gelada sentou-se na poltrona da sala. Sobre a mesa de centro onde deixara o rascunho velho e mofo, passaram olhos e um par de mãos. Que bateram a poeira do manuscrito e o folhearam. Uma olhada por cima de quem, só

por curiosidade.

--- Está se sentindo melhor!

Foi um grande susto, para quem perdera o sono e se medicara a pouco pela alta da pressão arterial.

--- Fica calmo! Falou o amigo que há algum tempo não vinha para lhe contar ou repassar contos para ele escrever.

--- Senti a sua falta! Estava muito chata a minha vida sem ter alguém para conversar.

--- Estou aqui porque você me chamou.

--- Não te chamei! É difícil para eu entender como você sabe quando estou aflito e tenho meus remorsos e preocupações.

--- Sei de todas as suas dores, mas não compete a mim cura-las. Só você pode fazer isso.

--- Então como eu te chamei.

--- A partir do momento em que você escreveu a Última Página. Conforme foi lhe pedido por uma ENTIDADE no passado. Ao qual você nunca deu atenção. Porque você só faz as coisas quando sofre. Quando padece de afetos. Quando se sente o rejeito do mundo! Porque maltratas tanto o teu corpo e mente!

--- Procuro fazer as coisas certas e no tempo certo!

--- Não parece! Porém não vim aqui para discutir e sim lhe dizer. Que quem sonha como você e escreve seus textos. Também pode inventar a sua história. Então sugiro que você leve seu livro, com a última página escrita a mesma Casa de Umbanda do passado. Ela ainda está lá no mesmo lugar.

--- A propósito dei uma olhadela nesse seu livro! Ele está perfeito. Leve-o com fé e entregue para quem lá o pedir. Estenda com fé a sua mão e pense em realizar o teu sonho. Tchau garoto! E não se esqueça de tomar seus remédios. Fui!

      Pensativo na chegada a Casa das Orações, Carlinhos estava apreensivo. Estava tudo bem modificado. Foi lá também uma das últimas vezes que vira os olhos negros e brilhantes de Lígia. A emoção lhe subiu à cabeça e ele sonhou com lembranças daquele amor inesquecível.

      Os trabalhos se abriram com os CABOCLOS dando os passes. Carlinhos com o livro nas mãos e dirigindo-se na direção do caboclo tropeçou e caiu. Foi socorrido por um senhor calvo e de longa barba acinzentada. O homem estendeu-lhe a mão para que se levantasse e com a outra recolhia o livro que havia se espalhado pelo chão. Diante do CABOCLO denominado ROMPE MATAS. Carlinhos viu o homem que lhe socorrera estender a mão para devolver-lhe o livro. O CABOCLO fez sinal ao homem para que o segurasse as páginas recolhidas.

Ouviu do ogum se aprendera a nunca baixar a cabeça para ninguém e respondeu que sim. Mas não era o mesmo CABOCLO do passado lhe perguntando. Como ele sabia disso! Nunca baixar a cabeça nem para pedir perdão.

      Desta vez o CABOCLO lhe deu outro conselho dizendo-lhe no final do passe.

      --- Só abaixe a sua cabeça para dar a mão a alguém caído ou precisando de socorro. Fazendo um dobalé.

Carlinhos voltou ao seu lugar. O homem que lhe socorrera da queda, estendeu a mão para lhe devolver o livro e sentando-se ao seu lado.

      --- É para você que eu tenho que entregar o meu livro! - Perguntou Carlinhos.

      --- Não sei! - Respondeu o homem.

            --- Meu nome é Mário e sou editor. Se quiser deixar seu livro comigo. Prometo lê-lo com muito carinho.

 

DOBALÉ - Prostrar-se ao chão; cumprimento aos assentamentos dos orixás que consiste em deitar-se ao chão estendido e rolar de um lado para o outro.


Livre de vírus. www.avg.com.

02/04/2020

QUANDO A ALMA DÓI

Conto de minha autoria publicado na coletânia da AVEB 

 - ACADEMIA VIRTUAL DE ESCRITORES BRASILEIROS -

  Livro BRASIL EM CONTOS ll 

UM ENCANTO EM CADA CANTO


 Acordava todos os dias com chicotadas de remorsos marcando seu peito. Lágrimas de saudades queimavam seu rosto, quando escorriam. Porém o que- estava feito, não tinha volta. As lembranças e os bons momentos eram os principais inimigos. Era o que mais lhe doía.

 Da mesma forma na hora de dormir os pensamentos lhe remoíam o cérebro. Achava-se um infeliz, por ter ido em busca dos sonhos e da felicidade, talvez na hora errada.
      No passado quando jovem fez exatamente tudo igual. Deixou tudo de família e a namorada, partindo sem rumo para um desconhecido destino. Não sabendo o que a vida lhe reservava. Nesse outrora os sentimentos, as tristezas e saudades foram vencidos. Sua índole e coerência por ter aprendido a ser leal consigo mesmo lhe ajudaram muito. Encontrou uma pessoa da qual gostou e construiu sua família.

      Hoje, porém a situação é a mesma, mas os laços de família diferentes. No passado foram a mãe os irmãos e a namorada amada. No presente as filhas e os netos. Encontrou a namorada do passado e a felicidade que não teve ao lado dela. Trocou de família novamente indo buscar um sonho. Editar um, pelo menos, dos seus seis livros que estavam em rascunho e mofando numa prateleira.

      Passava dias e dias trancado num quarto. Ao seu redor filhas e netos. Não escutava nem um bom dia. Nem um oi. Era como um robô fazia coisas automaticamente. Sentia-se um invisível, um quadro sem moldura e dentro dela a paisagem que não existia.
      Um aposentado inútil sentia que a coragem de viver lhe abandonava. Ao contrário de quando era importante para sua família. Quando tinha um sonho para todos. Quando todos tinham a mesma opinião em ter um pai ao lado.
      Hoje percebe que cada um tem sua vida própria. E cada um tem uma opinião e uma mágoa para reclamar do que deu ou não para fazer. Vivendo dentro da mesma família. Desacertos entre certos e errados. Pai pra cá, pai pra lá. Pai isso, pai aquilo. Porquês! Cobranças. 

   --- Para tudo! Vocês estão criadas. Tem vida própria. Chega!

 Uma aflição, vontade de fugir para qualquer parte do mundo.

      Às vezes a filha mais velha ia ao quarto, conversava o trivial, era a única que lhe dava mais atenção. Os netos mais novos às vezes eram malcriados e lhe faziam caretas pelas costas. Era um velho ranzinza e chato. Assim sua mãe o ensinara a ser. Um velho macambúzio e sem alegria, que se perdeu no tempo do passado. Quando criança educada era criança calada. 
      Outras vezes a neta mais nova o deixava falando sozinho. Mas o neto! Esse sim era um menino diferente e esperto. Conversavam muito quando ele o levava na escola. Ele adorava conversar com o menino, adorava escutar as conversas dele, os sonhos que tinha na sua cabeça juvenil. 
Ele, porém, nunca teve um pai ou um avô para conversar. Desde os sete anos ia sozinho para o grupo escolar.
      Pior foi o abandono do pai quando os netos ainda eram pequeninos. Ele se incumbira de criá-los e aguentar o rojão com o resto da família. Passeava com os pequenos, levava-os na escola, na praia. Às vezes chorava quando comentavam a falta do pai. Tivera uma boa infância, pobre, porém o pai como um arrimo. Prometera ao Senhor do Mundo cuidar das crianças e mesmo que ele morresse, pediu que deixasse seu espírito aqui, até os pequenos terem vida própria. Assim poderia olhar por eles.

 O neto assim como a neta só tinha atenção para com ele na hora de ir e vir para escola. Em contrário o celular falava mais alto. E o menino fazia do celular o avô, o pai que faltava, a mãe que não dava atenção. Não era esse o menino diferente e esperto que ele gostaria que fosse. 
      Os ventos não deixaram de soprar entre o tempo e a vida. Era como uma voz falando ao seu coração. Um grito de amor chamado liberdade.

 A despedida foi como o lamentoso apito de um trem partindo. Teve a impressão de ter visto a morte trazendo nas mãos, um trapo roto e velho em aceno. Poderosa era a voz do vento que em dueto com a voz do mar entravam janela adentro do ônibus, lambendo seu rosto e esvoaçando seus parcos cabelos. O caminho do destino estava traçado.

 O cheiro de novas terras entrando pelo nariz. O cheiro da terra com flores, com mato. O cheiro do asfalto quente a zumbir com os pneus dos carros girando. Gente pelas soleiras das portas a espiar. Ruas de terra e cachorros magros passeando pelos caminhos. Lembravam-lhe a infância em correria com os pés no chão. Cantos e recantos pobres e felizes. Líricos e bucólicos onde a poesia, da rima é beleza diante da miséria. Eram essas as lembranças dos rascunhos do seu livro de encantos. Era com essa lembrança de ter sido um menino pobre e feliz. Com o contraste da vida dos netos.
      Partiu velho e enferrujado, tão triste como perder uma paixão. Tão triste como abandonar e deixar no abandono a quem ficava. Por isso a noite os fantasmas lhe chicoteiam no sono, nos sonhos, da vida.

 Vida que enruga sua pele curtida de dores do passado.

      Porém a luz no fim do túnel lá estava. O seu encontro marcado com o amor. Lá estava a sua espera no terminal rodoviário. Era uma menina moça de setenta anos. Loirinha num curto vestido branco e azul. Nos pés um par de sandálias de couro completava a vestimenta que estava de acordo com seu sorriso,

 Ele todo apaixonado vendo aquele anjo que fora seu no passado e agora estava ali diante dele depois de cinquenta anos. Seu corpo tremia. Não sabia onde colocar as mãos. Seu espaço era pequeno diante do imenso terminal rodoviário.

      Os cabelos curtos dela há transformaram numa meninota atrevida, que lhe trouxe um avassalador abraço de sonhos. Nesse momento um beijo matou a sede das saudades do passado e da vida. Tão caloroso e frenético que muitos frequentadores do terminal olharam a cena espantados e curiosos. Acho que nunca haviam visto dois velhos jovens apaixonados.

      Compraram as passagens, partindo para um mundo do interior. No trajeto muita conversa, sorrisos e afagos. Beijos e ilusões de esperança de sonhos e amor. Pareciam as duas crianças jovens e enamoradas do passado que o destino se encarregou de separar.

 

Agora a vida lhes dava um novo alento, um amor avassalador acompanhado de meiguices carinhos e encantos. Ele pediu a ela nunca perder o encanto. Nunca perder o sorriso lindo para o mundo. Disse-lhe ainda que nunca duvidasse do seu amor em qualquer situação.

       Dentro de um conto de fadas passaram a viver. Nas noites geladas seus corpos abraçados eram o remédio do aquecimento Nas manhãs geladas seus corpos aquecidos pela cama quente gerava a preguiça do bem-estar.

      Suas peles eram a seda que sentiam quando suas mãos deslizavam em carinhos, viajando pelos seus corpos.

      Assim ele sentia sua namorada que dera o delicado nome de Açucena, Era o encanto carnal complementando seu espírito. Foi-lhe de dada de presente pelo SENHOR DA VIDA.

      A felicidade lhe embala de amor com sua namorada, os sonhos de editar os livros, cada dia afloram mais. Um fora editado. Os mais de cem contos e crônicas andam pela internet da vida em blogs a fazer sucesso. Porém, as lembranças e os bons momentos do passado continuam seus principais inimigos. Fustigando lhe a alma. Se sente culpado e com remorsos, por ter deixado os netos sem a sua presença. Dói na alma pensar que ele faz falta aos pequenos.
      Depois de morar num quarto de quatro paredes mofadas. Sentindo-me na prisão do seu ego. Açucena deu-lhe a liberdade. Amou-a numa aliança dos seus braços em volta do corpo dela. Deu um sim a ela, por toda a vida. Como na frente de Deus se dá no altar. Deu-lhe o respeito. O carinho e amando-a como se a cultuasse.


Porém quando se ama demais. Tornamo-nos enjoativos. Sua Açucena transformou-se numa rosa, colocando para fora todos os seus espinhos. Ferindo-o com palavras, gestos e atitudes.


Seu amor sempre foi sincero ele sempre disse a ela tudo que sentia. Um dia como uma avalanche percebeu que seus encantos acabarem. Desencantaram-se! Manchados, desbotados com alvejante.


      Desencantado! Virou também um desencanto para quem o encantava.
      E assim mais um elo se fechou. Talvez mais um pagamento que deviam em vidas passadas. Perante a dor de amor o final desse filme foi o mesmo do passado. Triste!
     

      Acorda muitas vezes no meio da noite com a pressão alta. Suado se medica e vai para o sofá da sala. Sempre acompanhado de caneta e papel. Tem a impressão que na penumbra pela luz do fraco abajur alguém esta junto dele.

      Agora ele escreve as tristezas da vida. Hoje ele passeia descalço pelas areias da praia. As lembranças afloram. Parece ver ao longe a sua Açucena se aproximando. Junto dessa miragem a brisa fresca da manhã afaga seu rosto. Na volta do passeio embora o sol aqueça seu corpo. A solidão é sua companheira.

 A paisagem é a mesma da partida. A vontade de viver não mais existe. Em outros tempos quando o amor era o encanto, a vida era predominante. Agora tanto faz.

      Esta é a realidade de um escritor que enquanto amava e era amado, não conseguiu escrever uma página sequer dos seus contos e livros. Empregou os sentimentos na vida real para ser feliz. Após o fracasso e a falência do amor. Hoje tem a capacidade de se sentir um condor no seu supremo voo. Tem a capacidade de planar como a libélula e volitar como um espirito de luz. Narrando com precisão todos esses sentimentos.

Eu digo que ele nasceu para escrever e sei que vai colher frutos. Quando alguém ler o que ele escreveu e chorar.