10/05/2019

MINHA HERANÇA



Fui um filho revoltado. Sai de casa cedo.

Hoje sinto falta da minha mãe.

Junto dela nunca fui dono de mim. 

Nunca tive vontades e vida própria.


O QUE SENTI E SINTO ATÉ HOJE

 

Mãe! Quando sai de casa

Não tive forças para perdoa-la.

Porém hoje compreendo minha educação.

Macambúzia onde criança educada! Era criança calada.



Também foste criada na Intolerância,

sem afeto, sem abraço.

Muitos filhos, muito cansaço.

Nunca tivestes dois braços abertos. Lhe esperando.

A sorrir, dando-lhe alegria na alma.

Numa ternura que acalma.



Por ti fui criado com repressão.

Com suor e depressão. Aprendi tudo na vida.

Catando do chão! Meus medos, nojos e raivas.

Porém aprendi. E entendi você mãe.



Hoje não posso lhe pedir mais perdão.

Posso dizer da sua razão.

E dos teus medos com minha criação.

Hoje posso dizer-te. Que meu mundo.

É integro. É limpo e leal. Tal e qual,

você sonhou para mim.



Se um dia em outras vidas.

As nossas se cruzarem

Quero pedir-lhe, que em todas elas!

Você volte como minha mãe.

Tinhosa. Carrancuda e matreira.



Mas como a pessoa que sempre amei.

Muitas vezes sem coragem de dizer. Eu te amo.

Não aprendi isso com você.

Não aprendestes isso com teus pais!

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Mas sei que sempre nos amamos.

Deste que incubado no teu ventre.

Você afagava meu corpo feto.

Eu via teus olhos! Felizes de amor.

06/05/2019

A BUSCA

 



Edgard, homem pacato e tranquilo, depois de tantos anos de trabalho. De uma rotina que nunca se cansava. Aposentou-se.

Agora parado e sem trabalho, percebeu que não era feliz. Que todos os anos trabalhados, só serviram para que virassem um robô. No dia a dia sempre os mesmos costumes, as mesmas palavras.

Também viu vários vizinhos e amigos se aposentarem e irem para bares, beber jogar e entregar a vida para o lado sedentário do tempo. Pensou muito e como as afinidades da sua casa já não lhe eram mais favoráveis. Saiu para o mundo.

Jogou tudo em busca da felicidade. O destino apontou-lhe o caminho e o encanto. Não mediu o seu sentir e o de deixar pessoas sentidas.

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Porém hoje tem a impressão de estar vivendo uma inquisição e não sabe se nessa sua nova vida a vela vai se apagar em comemoração ao primeiro aniversário. O encanto está se perdendo para uma doença chamada posse. Que lembra muito sua mãe, quando ele era menino. Os mandos e desmandos maternos na educação e proteção.

Hoje depois da caminhada sentou-se, num banco de praça, lembrando sua vida. Quando o casamento passado se fez um desconforto e um emaranhado de ciúmes e desaforos. Hoje o presente casamento se torna o mesmo cotidiano.

Achou melhor então, levantar do banco e atravessar a rua na frente de um automóvel em alta velocidade. Fazendo a vida terminar. Talvez agora, ele ache o que procura. Não fazer nada errado na próxima vida. Porque me confessou um dia. Que só queria ser feliz.