04/02/2019

FÉRIAS DE UM ESCRITOR

 Não sei o que aconteceu comigo nestes dias. Sai para descansar! Levei os netos a tiracolo. Fiquei num sítio longe das notícias do mundo. Longe de internet e longe da minha amada.

Senti um vazio tão grande. Tudo que eu havia planejado faltou. Acabei ficando só. A molecada na piscina e eu sozinho, olhando para o mato silencioso. Perdi a inspiração até para escrever.

Numa dessas noites muito quieto no meu silencio. Servi-me de uma dose de uísque e deixei a vida correr. Já no quarto gole a cabeça sonhou. Eu comecei a lembrar da saudade. Por muito tempo ela foi minha companheira fiel de segregar e conversar sobre o amor.

E ela veio. Para um bate papo. Não tão alucinante como no passado. Conversando, eu disse a ela que no passado, quando Deus compôs a história de Cassia na minha vida. Pintou o lindo olhar dela na tela da vida. Para que fosse minha obsessão.

Depois fez seus olhos chorarem como chuva para florir sua cútis lisa e rosada como o rosa da rosa. Então quando namorávamos. No alto majestoso a prata da lua cheia, rasgava a noite romântica com seu clarão. Eu há via no reflexo ao meu lado com o olhar lindo que Deus havia pintado só para mim.

Sabe saudade! Eu escuto uma melodia suave quando há beijo. Tenho a impressão que são trombetas a valsar.  E o beijo então! Hummm! Tem sabor de amor.

Confidenciei ainda que na ausência dela minha alma tem frio e chora. E na solidão, às vezes sinto cansaço de mim mesmo. Como desejaria tê-la neste momento! Ama-la como um louco, ama sua vida louca. Poder cravar minhas garras no seu coração e deixar nosso amor se esvair em sangue. Misturando-se em êxtases.

Pois é amiga saudade. Toma mais dose! Vamos conversar um pouco mais para que eu não me sinta tão solitário. Quem sabe a inspiração se chegue e me ajude a escrever alguma coisa.

 

 

02/02/2019

EU MEU MOLAMBO

 

Quando a dor devora o peito fazendo do corpo um molambo. Vestido numa roupa de saudade rasgada de amor. A mente chora em nostalgia lembrando um violão a tocar uma valsa de solidão ao luar. O corpo solitário e vagabundo chora também lágrimas que ficam perdidas na ilusão da amada voltar.

Mais uma noite de ébrio, poetando em vós alta pelas ruas. Hora chorando rimas ao luar. Ora escutando o vento a assobiar imitando um violino numa valsa de desencanto. A luz dos meus olhos era uma flor com espinhos. Uma rosa que murchou e perdeu seu encanto. Nem a beleza de sua alma deixou como lembrança.

Mais uma noite de ébrio. Olho a lua que me consola, mas também não quer namorar comigo. A garrafa do meu destilado rola pela calçada. E o salão de festas da noite, pontilha o céu de estrelas que tento contar. Canto em serenata para as moças que passam pela minha cama de calçada fria. Às vezes vem à garoa me molhar ou um sereno gelado consumir minhas forças. Eu não peço, mas a saudade vem me atormentar. Às vezes indago a ela onde estará agora meu amor. Talvez aconchegada em outros braços que não são meus.

Lembro-me do olhar dela como uma sombra. Um escombro, que vem a noite, perturbar minha alma.

Deus!  Mediante a minha fraqueza e pobreza de espirito, eu lhe peço. Leve-a deste mundo, para eu poder viver. Ou então me leve logo. Para ela nunca mais ouvir falar deste molambo, que um dia foi seu amor. Fui o fracasso que um dia a desencantou.