05/08/2018

O AMOR CHEGOU CHEGANDO


 

Quando fui atender campainha meu coração disparou num enorme e forte galope. Lá estava em pé diante de mim o meu amor. Que chegou num repente sorrindo, me fazendo uma surpresa. Meu corpo vibrou numa tensão forte, meus lábios tremeram. Abri o portão sua mala foi ao chão, senti seus braços fortes arrebatarem meu corpo me enlaçando a cintura. Senti seu corpo aconchegante. Ganhei um beijo na boca tão guloso e sequioso que me senti no espaço. Numa viagem de êxtases. 
Entramos para a casa de mãos dadas. Era um conforto, uma segurança sentir sua mão enlaçada na minha, passando pela varanda, entramos na sala. Mais uma vez escutei sua mala ir ao chão e ali ao lado do sofá ele arrebatou-me novamente. Desta vez pelas costas. Abraçou meu ventre, levantando a minha camiseta. Nesse momento um enorme arrepio percorreu toda minha espinha dorsal. Suas mãos aveludadas massageando meu colo e os seios que ficaram desnudos. Sua boca percorreu meu pescoço com pequenas e leves mordidas, eu tinha a impressão de tomar pequenos e estimulantes choques. 
Esse é o meu amor, que venero. O meu amor que fez e faz sentir-me mulher. O meu amor que acendeu todos os poros do meu corpo. Que há muito estava caquético e sem lampejos de vida. Esse é o meu amor que quero para todo o meu sempre. O meu amor que me dá confiança e vibra de felicidade, quando vê o meu sorriso e as minhas brincadeiras de velha moleca. 
Esse é o mesmo amor da minha juventude e hoje da minha velhice. Hoje eu o senti como chegando de uma longa viagem e voltando para mim. Para minha casa, para minha vida. Me trouxe novamente o sentir e sempre me pede que eu nunca perca os meus encantos. 
Chegou, chegando guardando suas roupas no meu armário, seus objetos na minha camiseira, seu sabonete e escova dental no meu banheiro. Após um jantar gostoso que preparei para nós. Um banho a dois foi aperitivo. Tomou seu lugar na minha cama numa saudosa e apaixonante noite amor. Por vários momentos nossos corpos estremeceram e nossos gemidos de prazer à muito sufocados na garganta explodiram. Amor para jovem nenhum botar defeito. Saciados entrelaçamos nossas pernas e fizemos uma deliciosa conchinha. Enquanto suas mãos afagam meu rosto e cabelos, sua boca acaricia a minha nuca. E com a vós rouca num sussurro me disse. 
— Meu amor! Nossa casa é uma delícia. Tão agradável e confortável. Tão cheia de amor. Tão encantada como você. 
Assim adormecemos. Na manhã seguinte deixei-o dormindo e levantei. Fui para o banheiro e abri o armário das escovas. Foi grande a minha surpresa ao ver a escova de dentes dele enroscada na minha. Como se tivessem se beijando. Num lindo romance de amor. 

02/08/2018

A VIZINHA

O rádio ligado a meio tom, fazendo a alegria com músicas que há contagiam.

Seus pensamentos parecem se perder no tempo. De vez em quando fica estática, olhando para o nada. Às vezes baila em graciosos e delicados passos, entre o esfregar a roupa no tanque ou estende-la no varal. Penso que lembra alguma paixão ou algum sonho vivo na memória.

A cerca baixa e ripada dividindo nossos quintais me permite vê-la. Eu do meu lado sentado num banco de madeira, fito esta minha paixão. Mulher de meia-idade, o tempo desgastou um pouco sua beleza. Cabelos curtos e loiros, o corpo um pouco gordinho, mas guardando perfeitamente as curvas da juventude.

Seu nome é Miriam! Algumas vezes há ouço discutindo com o marido. Fico triste por isso. Outras vezes logo cedo ela abre a porta e vem para o quintal de vassoura na mão. Se pondo a varrer e a cantarolar. As folhas secas adoram os afagos da vassoura e dançam na valsa do vento.

Saio para o quintal quando a ouço. Sua vós é como uma canção.

— Bom diiiiia seu Carlos!

Respondo-lhe o bom dia, com um sorriso amável. Mas na realidade eu gostaria de-lhe responder.

-- Bom diiiiia! Meu amor.