11/11/2019

DEPRESSÃO: A DOENÇA DE UM SONHADOR

Acorda cedo, dorme pouco. Primeiro olha uma única mensagem no celular que diz.

More! Você está chegando!

Essa mensagem continua ali sem ter sido apagada por muito tempo. Antes era ela seu primeiro bom dia.

Depois de alguns afazeres normais começa a contemplar o nada. Seus olhos ficam parados. Começa a ladainha de sonhar acordado. Sonha com a amada sorrindo, com a amada surpresa e admirada com os sucessos de venda do seu livro.

Sonha com a namorada a lhe afagar os cabelos brancos e brilhantes como um cristal. Sonha com a dona do seu coração andando pela casa que ele comprou e colocou tapetes macios no seu interior para que ela com os pés descalços sinta-se andando em nuvens.

Sonha com ela saboreando seus pratos de mestre. Camarão ao molho que ela tanto adora. Por fim sonha com ela lhe abraçando e beijando como num sentir sôfrego de amor e saudade.

Sonha que nesse momento morre feliz, por ter realizado seu sonho. Num repente! Qualquer barulho o faz voltar á realidade. Tomba a cabeça no travesseiro relaxa o corpo na cama. Sem os sonhos cai no mundo real. Suas lágrimas escorrem, ele se desespera e grita.

Como é difícil meu Deus! Esse meu mundo de sonhos é meu inferno. Me leve embora! Pôr favor! Tenha dó da minha alma. Deixe que ela descanse. Tenha pena Deus! Deste meu corpo doente de amor.

Deus! Pôr favor me tire desse desespero. Não quero mais me sentir assim.

E chorando acaba adormecendo.

Fica em paz por algumas horas. E assim se definha em mais um dia. Quando acorda já cai à tarde o dia já vai indo embora. Novamente ele entra na realidade. Após o jantar! Para o quarto de novo. Vara a madrugada escrevendo. Seus sonhos na frente do calado computador.

Está trancado num quarto. Na solitária da sua vida. Com sua mente aprisionada numa paixão sem solução. Sabe que está doente, porém seu vicio de sonhar é prazeroso. Não tem coragem de abandona-lo. Não tem coragem de se curar. Pois seu vicio é como fumar, um prazer a cada tragada é sonhar, sofrer e escrever o que sente. Sem isso sua vida não tem graça.

É melhor morrer então.


06/11/2019

UMA CANÇÃO NO VENTO

Sentado à mesa de um bar, num canto de calçada com voz e presença triste. Um cantor cantava. O vento soprava e levando a musica e a espalhando pelo bairro. A voz triste em meio às lágrimas eram por vezes lamentos de amor.

Eu escutava essa voz todas as noites na minha janela.

Uma garrafa de cachaça era a companheira inseparável do tristonho cantor e por vezes, talvez aplaudindo exalasse triste o olor da nostalgia. Já na noite alta com seu luar em prata, ainda ecoava a voz do cantor e seu idílio de amor.

Um casal geme de amor na cama à voz do cantor os embala. No alto da Ladeira do Cortiço ninguém escuta a canção. É lá que fica a casa puta das mulheres vadias. Na casa puta das mulheres vadias o amor foi esquecido.

A noite continua no céu com seu brocado prateado e pontilhado de estrelas. Fazendo um cordão lácteo, cujo medalhão é a lua. O silêncio das ruas me permite escutar nitidamente da minha janela. Antes com meu amor ao lado e agora só. A voz lamentosa do cantor.

Essa canção que nunca morre fala da namorada numa traição desleal. Quando a tardezinha encontrava um amigo do cantor que virou amante dela.

Fico pensando e lembrando-me da minha amada que se foi. Que a alma desse cantor deve doer mais que a minha.