06/10/2019

SENSIBILIDADE PROFUNDA

Sentado em três degraus de escadas de um anexo do quintal, curtia uma loira gelada e saborosa. Ninguém para conversar uma boa prosa. Olhou para a garrafa e pensou:- Vais ser minha companheira e vais escutar meus pensamentos.

Os goles loiros do liquido o fizeram viajar. Ao longe para abrilhantar tais pensamentos ouvia-se a musica Somos Jovens na voz encantada de Elis Regina.

Bom tempo aquele quando um par de olhos da cor do café e sensuais faziam a poesia da sua vida.

Tinha verdadeiros encantos pela dona dos olhos. Nunca esquecendo dela nem depois de ser bisavô.

TEUS OLHOS


Eram a cura da minha amargura.

Vinham a mim como centelha

Brilhante joia, uma doçura.

Reflexo que espelha.

Minha alma.

Os recebe com encantos e ternura.


Depois do poetar continuou sua viagem pelo túnel do tempo. Aqueles olhos que transbordavam sorrisos o tempo todo. Porém sem que ele percebesse o vento brando lhe fazia companhia, tocando os sinos de bambus – presente da irmã mãe que terminara sua criação. Os estalos da peça a dançar orquestravam seu pensamento que voava alto. Os olhos dele estavam parados. Sua concentração no amor do passado eram tão profundas que lágrimas rolavam dos olhos. Sulcando seu rosto. Era tão real o sentir que se sentia afagado quando a brisa tocava seu rosto.

Por algum tempo assim ficou. Acordou quando o latido de um cachorro se fez presente. Enxugou as lágrimas nas mangas da camisa. Recolheu a garrafa companheira do momento e foi para a sala. Ali deu de cara e sorriu para um presente lindo que Deus havia lhe dado. Sua sorridente e pequena bisneta.

Então seus pensamentos se voltaram à Deus. Agradecendo por toda a felicidade que a vida lhe dera.






03/10/2019

O BAÚ DO DESTINO



Hoje dando uma limpada no velho baú da minha vida. Encontrei um pouco da minha felicidade na juventude. Um álbum musical que guardei com muito carinho.

Hoje obsoleta a peça foi responsável por bons e maus momentos da minha vida e por muitas vezes parte dos meus sentimentos.

Muitos dos compactos simples fiz um enorme esforço financeiro para comprar. Outros ganhei como recordação de namoros e romances. Folhei pela última vez meu tesouro. Hoje ele deixou de fazer parte de mim.

Dancei todas as músicas do álbum com Verinha uma loirinha de sorriso gentil e agradável. Esguia e cheirosa como uma rosa. Com Ana a morena dos cabelos cacheados, sorria muito e tinha olhos tentadores de desejos. Lembro-me ainda de Regina a ruiva de rosto redondo e boca pequena estudiosa e romântica. Dançando eu amava todas elas. Sonhava com momentos bons. A delicadeza de suas mãos. Às vezes o suor do balé o cheiro dos corpos revelam sentimentos e pensamentos secretos.

Porém um dia no meu aniversário de dezenove anos eu programei uma festinha americana. A turma veio toda, as meninas sempre bonitas e os rapazes com seus topetes. De repente um par de olhos, me lembro da cor do café, surgiram â minha frente. Trazia nas mãos delicadas e morenas um compacto simples. Sua voz delicada exprimiu um.

-– Oi muito prazer. Não sei se você vai gostar, mas essa música eu adoro.

Não prestei muita atenção no presente. E também não lembro quem trouxe aquele anjo para mim. O que eu sei é que gelei de arrepios de cima abaixo. Meu corpo tremeu. Como num imenso e excitante orgasmo.

Confesso que eu nem mais sabia se sorria de alegria ou gritava de felicidade. – Amei você! Gostaria de ter dito naquele instante. Refeito abri o presente e ali estava a etiqueta redonda dizendo – DO YOU WANNA DANCE. Ao lado uma letra de caneta dizia. Com carinho! Wilma.

Eu disse-lhe. --- Vou colocar na vitrola. Você dança comigo!

Até hoje nos meus pensamentos eu me imagino dançando com ela. Realmente foi ela o meu primeiro amor da juventude. Vou carrega-lo no peito para a eternidade.

O destino nos separou depois de dois anos.