25/10/2018

UM PEQUENO AFAGO NA ALMA

Hoje ao me levantar, um desespero, bateu no meu peito. Como se me dissesse para olhar o passado.
Olhei e te achei. Dentro de mim, te sentindo como um pequeno afago na alma. Chorei lembrando teus olhos de querer amor. Teu sorriso de desejos e teu jeito de menina levada.
Do calmo abrigo que sentia no teu abraço. Numa afetuosa satisfação de conforto, de sentir. De sonhar.
Levei-a então a passear comigo pelas ruas do bairro onde moro. Deixei que toda vizinhança nos visse de mãos dadas. Mostrei a todos o meu sorriso de felicidade estampado no rosto. Na volta do passeio fomos para cozinha, juntos preparamos o almoço. Bebemos champanhe com o sabor dos nossos beijos. Dançamos num bailado suave, uma valsa de sonhos.
Após o almoço, sentamo-nos nas cadeiras do quintal da vida assistindo o filme da nossa história de amor. Novamente chorei de felicidade. Então deixei você na cadeira. Quando minha filha me chamou dizendo.
— Vamos pai, estamos atrasados! O psicólogo não espera.

22/10/2018

E VIVA O CRAVO.....E VIVA A ROSA

Era assim que dona Pascoa Pascoetta cantava. Mulher porreta, italiana baixinha. Minha avozinha, minha madrinha dos olhos azuis. Como o céu da minha vida criança.
Sete filhos! Trinta e dois netos. Uma matriarca alegre, mulher feliz. Vibrava muito quando a sua prole se reunia. Aqueles serenos e afetuosos olhos azuis pareciam nos olhar, como se fossemos sonhos. Tinha a fala mansa, nunca a vi levantar a voz para ninguém.
Durante os almoços festivos a macarronada corria solta. Eram quilos e mãos quilos de macarrão. Sua casa pobre era movida por amor e muito vinho se bebia ali.
A alegria contagiante dessa avó querida e o vinho da festa se misturavam. A velha senhora abria a cantoria. Filhos e netos a acompanhavam. Eram músicas da infância dela na Itália. Quando ouvia seus parentes cantar.
Guardou na memória e trouxe para nós o costume. Éramos sua família mafiosa de sangue e amor. A música mais tradicional que ficou marcada, são estas estrofes.
E VIVA O CRAVO......E VIVA A ROSA.....E VIVA A FLOR........

Assim entoavam filhos e netos. Dos mais velhos aos pequeninos. Até hoje a marca da matriarca está no sangue dos Paduan. Hoje quando nos reunimos em festas, nascimentos aniversários e mesmo falecimentos. Entoamos orgulhosos o coro em alto e bom-tom.
E VIVA O CRAVO
E VIVA A ROSA
E VIVA A FLOR DA LARANJEIRA
E VIVA OS DONOS, DESTA CASA
COM TODA SUA, FAMÍLIA INTEIRA.
-- VIVAAAAAAA! ( aplausos ).


Sinto que às vezes parecemos anjos cantando. A marca deixada pela matriz da nossa família. Naquela casa tinha tanto amor que até hoje alimenta nossas almas. Não volta mais esse tempo, resta guarda-lo com saudades e carinho. Até hoje sinto que a presença dela quando encontro meus primos. Rimos e cantamos felizes, conforme nos ensinou minha avozinha a minha madrinha dos olhos azuis.
Conto real dedicado a todos os descendentes da família Paduan e a todos os frutos de sangue que a nossa avó dona Pascoa Pascoetta. Plantou neste mundo.