20/08/2018

O PORTÃO DO POETA

Muro alto com balaústres a enfeita-lo, Uma fileira de telhas francesas protegem o portão de ferro retorcido, em formas florais. Na calçada da rua ao pé do muro, algumas orquídeas e folhagens. Mais acima enormes buquês de begônias se expõem como lágrimas vermelhas.

Por trás do muro, nota-se uma porta antiga e sempre fechada. Pelos desenhos florais vazados do portão de ferro avista-se uma varanda pequena e duas cadeiras pintadas de branco lá descansam.

Dizem que aqui mora um poeta. Calado e com jeito mal humorado. Por duas tardes eu o vi sentado em uma dessas cadeiras da varanda. Numa dessas tardes lhe fazia companhia uma garrafa se não me engano de água. Disfarçadamente parei em frente ao portão e de soslaio fiquei a olha-lo. Realmente parecia de mal humor. Mas naquele dia eu o ouvi balbuciar, algumas palavras desconexas.

Estava com a cabeça recostada no encosto da cadeira. Seus olhos perdidos num mundo que não era o nosso, parecia estar muito longe. Talvez no voo de um condor à procura incansável por seu amor.

Depois levantou da cadeira e com o olhar ainda perdido enxugou os olhos com um lenço xadrez azulado. E foi embora porta adentro.

Chorei junto com ele, pois notei sua tristeza era profunda, um soluço sentido Gostaria que ele encontrasse o seu amor.

Só para vê-lo sorrir.

17/08/2018

FINAL DO CANSAÇO

Desespero, noite feia, fria. 
Numa impressão de fim de mundo, 
Vazio profundo. Desapego!

Sereno que escorre na alma calada! 
Vida gelada, sem alento. 
Coração cansado, feito cachorro sem dono. 
Melhor aceitar a morte, acabando o sofrer. 
Descansar como um escombro da noite. 
Assustado e assustando. 
Triste fim de vida. Melancolia de viver 
quieto, calado. Sem afago! 
Numa sede de amar. Mas a 
esperança se foi. 
Como o resto do meu corpo. Enferrujou! 
Precisando cair na terra. 
Precisando decretar a falência da vida. 
Liberando o espírito, para uma nova jornada.