13/08/2018

FOTOS ESMAECIDAS

 

Hoje encontrei fotos de nós dois que residiam no sótão do casarão de pedras. Onde meus pais moravam. Gastas pelo tempo numa cor sépia, já se fazem esmaecidas. Lembrei nossos banhos na banheira com o esmalte descascado. Teu corpo moreno queimado de sol, coberto pela espuma alva do sabonete cheiroso. Teus seios coloridos pela marca do biquíni às vezes boiavam, entremeados à espuma.

Ficávamos ali por horas nos afagando, nos beijando e ajustando nossas ferramentas de amor.

Quando nossos corpos clamavam o êxtase saiamos para o quarto. Deitávamos numa colcha de retalhos que se fazia linda, decorada pelo teu corpo nu. Encontrei-a, nesta manhã. Tão velha e cheia de traças que se desfez em farrapos. Como sinto meu coração agora.

Teu sorriso branco iluminava-se dentro da boca. O carmim nos teus lábios pareciam  pétalas se abrindo quando me chamavas de amor. Como você me levava à loucura!

Agora estou olhando todas as fotos, cada uma tem uma história. Cada uma me mostra um tempo, um momento. Revivendo tudo, me desmancho em vários devaneios. Meus olhos se enchem de água pela saudade. Muitas foram os dias, que sonhei com teus olhos agasalhando a minha alma. Te sinto! És como um livro que leio todas as noites, como se tivesse lendo teu coração. Nossa! Como dói a tua ausência.


10/08/2018

A CRÔNICA DA DOENÇA CRÔNICA

Nasce o poeta com o dom na palavra e o encanto no peito. Vê na mulher a rosa rainha a fada dos sonhos. A musa do seu amor.

Vê! Maravilhas na terra, encantos na paisagem. Descreve na precisão do traço a ode das relvas, nas curvas de um caminho. Namora a lua sua amada e o luar de prata que ilumina ranchos de amores no caminho da sua morada. Vê a tristeza da chuva descrevendo-a com as lágrimas de rios do amor. Imagina pingos d´agua rolando pelas vidraças. Desenha corações tristes no embaçado dos vidros.

Ama a mulher, que imagina, dando-lhe vida e beleza. Desenhando-a com cores de carmins, com olhos verdes ou cor do céu, E chora por ela. Ama tanto e narra com perfeição um orgasmo em trovas. Ou então se deleita narrando. O poeta é vida. Faz rimas maravilhosas em uma ode rimada, que acaba na próxima linha.

Ama e desama, chora e ri. Conforta e faz o sofrer, dando vida a cada página de um livro. Mas carrega a crônica doença no peito. De não saber amar na vida real.

Pois quando ama não sofre. Não sofrendo! Não rima e não sente. Não sentindo! A inspiração acaba. Finda. Fim.